Caso Lael: Polícia detalha motivação do assassinato de advogado em Aracaju

Caso Lael: Polícia detalha motivação do assassinato de advogado em Aracaju

13/11/2024 0 Por Redação

A trama que levou ao assassinato do advogado criminalista José Lael de Souza Rodrigues Júnior envolveu desavenças familiares, relacionamento extraconjugal e um conturbado processo de separação com disputa pela divisão do patrimônio. Em entrevista coletiva, nesta quarta-feira (13), a cúpula da Polícia Civil de Sergipe detalhou a investigação que apontou a médica Daniele Barreto, esposa de José Lael, como suspeita de ter sido a mentora intelectual do atentado que matou o advogado e deixou um dos filhos dele baleado. Outras quatro pessoas estão presas e um homem foragido.

Logo após o crime, a Polícia chegou a trabalhar com a hipótese de que a motivação tinha relação com o exercício profissional de José Lael, mas ao fazer a reprodução simulada da dinâmica dos fatos no dia em que o advogado foi morto, os investigadores descobriram que os problemas familiares formaram o pano de fundo do homicídio.

Na operação dessa terça-feira (12), foram presas cinco pessoas. Além da médica Daniele Barreto, uma mulher que trabalhava como sua secretária, uma amiga da médica, um motoboy e um homem que teria contratado o atirador. Já o executor ainda não foi localizado.

Segundo apuração da Polícia, Danielle e José Lael estavam em disputa por conta do controle de uma conta conjunta do casal desde que a médica passou a suspeitar ter sido vítima de um suposto golpe que teria sido aplicado pelo próprio companheiro.

Danielle, que de acordo com a investigação possuía um relacionamento extraconjugal com a amiga presa, já teria feito o pedido de divórcio, que não era aceito pelo advogado. “Eles tinham 10 milhões depositados na conta do filho mais novo e nenhum dos dois queria assumir a situação da divisão que seria necessária em decorrência do processo de separação”, disse a delegada Juliana Alcoforado.

O advogado criminalista de 42 anos foi assassinado na porta de um condomínio residencial no bairro Jardins, zona sul da capital sergipana, na noite do dia 18 de outubro. Ele chegava a sua residência de carro junto com um dos seus filhos, que também foi atingido por disparos de arma de fogo. Ambos chegaram a ser levados a um hospital, mas Lael não resistiu.

“O crime foi planejado há algum tempo em um bar no bairro Santa Maria”, frisou a delegada, acrescentando que no dia do crime o advogado esteve em uma loja para comprar açaí a pedido da esposa, e teria sido perseguido por um veículo modelo Polo durante todo trajeto até sua residência, onde dois homens em uma motocicleta já estavam de campana o aguardando para consumar o crime.

A investigação apontou que Daniele e José Lael teria tido uma briga no dia anterior ao crime, e também teria se encontrado presencialmente com a amiga dela e os executores horas antes do atentado. A Polícia também descobriu que o advogado já desconfiava da traição da mulher e teria passado a vigiá-la em sua clínica.

Embora a Polícia considere o crime elucidado, o inquérito ainda não foi finalizado porque os investigadores trabalham na análise de novas provas coletadas durante a operação da terça-feira (12), em que os suspeitos foram presos, para formalizar o indiciamento de cada um deles ao Ministério Público Estadual (MPE), que deverá decidir se oferece ou não denúncia contra os suspeitos nos termos da apuração policial.

Por F5 News